Anotações Planetary – #04 Strange Harbours

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Lendo Planetary via scans no computador, foi com esta edição que comecei a gostar da série. As três anteriores não são ruins, mas na época estava achando muito rápidas e muito desconexas. Talvez pelo número de páginas páginas splash, aquelas que é uma única imagem, ou pelos diálogos rápidos. Na época eu pensava que a série era muito apressada, mas tudo tem a ver com a expectativa do leitor, porque agora eu gosto das primeiras histórias. Depois de encontrarem o fantasma vingativo em Hong Kong e descobrirem aquela espécie de HD metafísico, o trio de Planetary investigam um artefato achado nos escombros de um prédio destruído por um ataque terrorista.

marvelComeçando pela capa, ela simula uma antiga capa de história em quadrinhos, aquelas com a palavra “magazine”, mostrando o sr. Wilder em uma postura heroica. A sua capa, a faixa na cintura, as faixas nos braços, as botas e o detalhe em forma de raio no peito são uma alegoria ao Capitão Marvel, da DC Comics. Segundo a Wikipedia, o Capitão Marvel, foi criado em 1939 pelo roteirista Bill Parker e pelo desenhista C. C. Beck. Ele apareceu pela primeira vez na revista Whiz Comics #2, lançado em fevereiro de 1940, durante a era de ouro dos quadrinhos. Com uma história que envolve uma fantasia adolescente, Capitão Marvel é o alter ego de Billy Batson, um jovem que trabalha como repórter de rádio e foi escolhido, devido a sua bondade interior, para receber os poderes do Mago Shazam, a fim de preservar a justiça e a paz no Universo. Ser alter ego e o aspecto da bondade interior combinam perfeitamente com o personagem de Wilder em Planetary, como na situação em que o detetive tenta salvar um homem em um beco que está sendo assaltado e em vários diálogos que mostra sua bondade.

A página de Travis Hedge Coke traz uma observação muito interessante: O sobrenome de Jim Wilder pode ser uma referência ao roteirista e diretor de cinema Billy Wilder. Este diretor realizou vários filmes em que fazer a coisa certa é um tema central, como em Double Indemnity (1944), que estrela Fred MacMurray, que por sua vez serviu de molde para o Capitão Marvel!

As primeiras páginas da história, no encadernado da Panini Comics da página 82 à 87, mostram um mistério que será realmente desvendado no antepenúltimo número da série. Fica esse mistério sobre o atentado terrorista e a empresa Hark, mas nada que atrapalhe esta edição.

Nas páginas 95 e 96 a transnave ciente relata ao sr. Wilder a natureza do multiverso, como visto no computador da equipe dos heróis pulps nas Montanhas Adirondack e no artefato em Hong Kong: “Existe mais de uma Terra, sr. Wilder. O seu universo paira dentro de uma estrutura de universos comparável a um floco de neve. Há canais que interligam as inúmeras terras alternativas, de resto separadas umas das outras. Chamamos isso de sangria”. Aí esta uma explicação bem clara sobre os vários mundos representados pelo teorema do floco de neve, a interligação com a sangria e as possíveis interferências entre as realidades. Não lembro se já comentei em algum post anterior, mas vale a pena dizer de novo: a ideia da sangria e do multiverso é um comentário de Warren Ellis sobre as terras paralelas e os universos paralelos presentes nas histórias em quadrinhos, principalmente da Marvel e da DC. Ellis pega essa zona editorial e transforma em um conceito muito interessante que permeia Planetary.

1:4:97. Página em splash mostrando a queda da transnave na “nossa” realidade, o planeta Terra de Planetary. Achei muito legal essa interação entre as realidades, como se a queda da transnave tivesse causado a extinção dos dinossauros, funcionando igualmente como um choque de meteoro. Arte linda de John Cassaday.

Quando Wilder conta sobre a nave para Jakita, Baterista e para o Elijah Snow, ele menciona que a nave precisa de mais pessoas para se transformar em tripulação, uma alusão à família Marvel, do Capitão Marvel, que pode assumir seus poderes.

O tema de fazer a coisa certa realmente é bem forte nesta edição, como a postura que Elijah Snow toma no final, ao resolver financiar incondicionalmente a busca de Wilder pela sua tripulação. O último diálogo da história, de Elijah, mostra bem a bondade de Wilder: “O probre-diabo ganha recheio de material alienígena no corpo e topa passar o resto da vida tentando convencer seis outros a fazerem o mesmo, de modo que uma espaçonave perdida possa voltar pra casa”.

Uma última coisa para levar em consideração é que o conceito de transnave e do multiverso já foi usado por Warren Ellis em outra série da Wild Storm, The Authority. Dessa forma, além da edição de crossover entre as séries, há uma comunicação clara entre as duas criações de Ellis. É isso para este post, leitores. Como sempre, uma história de Planetary pode parecer rápida, mas carrega várias coisas escondidas e comentários sobre quadrinhos, filmes, teorias ou cultura. Uma HQ muito interessante.

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