Planeta dos Macacos – A origem (2011)

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Aproveitando que o filme Dawn of the planet of the apes (Planeta dos macacos: o confronto) está prestes a ser lançado nos cinemas, resgato um post sobre o filme anterior, o reboot da série. Planeta dos Macacos – A origem (Rise of  The Planet of The Apes, 2011mostra a natureza gritando “não!” ao homem. Claro que devemos usufruir da natureza para ficarmos vivos, extraindo recursos e dominando as doenças e os desastres naturais, mas o filme funciona como um aviso para nós humanos: Do not mess with nature. 

Esse post contém spoilers medianos. Em São Francisco, o experimento com um remédio contendo o vírus ALZ 112, destinado a terapia genética para a cura do Mal de Alzheimer, mostrou ótimos resultados com chimpanzés. Porém, após um desastre com uma das cobaias, Will Rodman (James Franco), cientista criador da droga, leva o filhote dela para casa meio contragosto. Talvez o macaquinho fosse uma boa companhia para seu pai, Charles, que sofre de Alzheimer (John Lithgow) e acaba batizando o macaquinho de Cesar. Passam-se 3 anos, César cresce e apresenta um desenvolvimento cognitivo mais veloz que de um bebê humano. Ele aprende alguns sinais para se comunicar com Will e demonstra ter emoções bem desenvolvidas. Cesar vive alegremente no sótão, onde tem brinquedos e uma janelinha para ver o mundo lá fora.

Em um momento, Charles com seu Alzheimer mais avançado devido uma rejeição no próprio corpo da droga 112, pensa que o Mustang estacionado na rua do vizinho é o dele e entra no carro para dirigir. Como é de se esperar, o velho bate o carro muitas vezes tentando sair do acostamento. O vizinho aparece e, sem considerar a doença de Charles, agride-o e chama a polícia. Enquanto isso, do sótão Cesar observa com fúria o vizinho cutucar Charles e resolve ir pra rua defender seu “avô”. O macaco, nesse momento mostrando sua capacidade agressiva, dá umas porradas no cara, deixa-o assustado e quase arranca um dedo de sua mão. A polícia chega e Cesar é capturado para ser levado à um viveiro do governo parar símios em San Bruno.

Assim como a mãe de Cesar  foi morta na empresa tentando defender  seu bebê, Cesar é punido por defender Charles. Se o ato de defesa da mãe macaco trouxe Cesar para Will, o ato de defesa de Cesar o tirou-o de Will para sempre.

Confinado no viveiro, Cesar experiencia uma verdadeira prisão. Sofre mal tratos por parte de um bastardinho que cuida dos animais, é agredido por Rocket, que entendi como o macaco alfa do local, sofre de solidão e com a péssima comida. Porém, encontra uma companhia a sua altura, um orangotango de circo que também sabe se comunicar por sinais. “A evolução torna-se revolução”, como está escrito no poster americano do filme. Cesar começa a planejar se revoltar com a ajuda dos seus companheiros de espécie. Aí começa as partes de ação (bem dirigidas, vale dizer) que imagino que muitos esperavam desde o começo do filme, quando os macacos começam a destruir tudo. O fim do filme vai surpreender alguns e alegrar aqueles que gostariam de uma sequência para a origem.

Cesar, apesar de fazer referência ao fascismo com a conversa sobre os gravetos, quer a liberdade com o menor numero de baixas humanas possível. É evidente a inteligencia de Cesar durante os combates. Ele é estratégico como um verdadeiro romano, como é mostrado na batalha final do filme no meio da ponte Golden Gate.

O exército de macacos liderados por Cesar parece não buscar vingança generalizada, mas liberdade e respeito. Seu destino é chegar até a floresta de sequoias, não sair destruindo prédios e matar todo mundo. Certo, eles destruíram a Gen-Sys, mas foi um ataque válido para Cesar, já que é para lá que alguns dos seus companheiros chimpanzés foram levados para experimentos, e simbolizou uma revolta contra suas raízes humanas.

Planeta dos Macacos – A origem  é um filme bom por alguns motivos que consegui pensar: A interpretação de Andy Serkis, quem faz os movimento e expressões de Cesar; a fotografia do filme e os movimentos de câmera; por ser um ótimo reboot com uma história muito bem contada e empolgante, além de trazer temas sobre ciência e sociedade. Sobre Serkis, é vital dizer que César consegue nos passar uma humanidade tremenda e assim, pode gerar empatia com quem assiste. Se você ficou triste ou torceu por César, uma grande parte do mérito é de Serkis. Pessoalmente, achei um ótimo personagem com atuações dignas, uma mescla de humanidade com ferocidade. Sobre a fotografia do filme, é só observar para ver a harmonia. É um visual muito agradável e deixa a história ser contada com mais prazer.

E a ficção científica? Rise of The Planet of The Apes consegue ser um filme muito melhor que o Planeta dos Macacos de Tim Burton e dar uma força nova para a saga. Mérito dos roteiristas. Dedicam o filme para contar a história sem pressa, mostrando as transformações e o crescimento de Cesar, além de funcionar como um prelúdio para os filmes clássicos. E também podemos pensar em outras questões que se apresentam no roteiro as vezes de maneira sutil. Em que o homem se mete ao tentar vencer a velhice e a doença, como Will tentava? O filme levanta questões importantes para os cientistas. Qual é o limite para o controle humano sobre a natureza? Ainda é ético realizar experimentos com animais? Foi uma instituição humana que tornou César num rebelde agressivo, transformando-o em um guerreiro por um batismo de punição. E os efeitos danosos causados nos humanos pela droga 113? Mostram o perigo do desenvolvimento científico ambicioso, a autodestruição humana em forma por trás da racionalidade.

Concluindo, se você ainda não viu Planeta dos Macacos – A origem, assista sem medo. É uma ótima história de ficção científica, bem elaborada e com direção competente de Wyatt. Enquanto isso, ficamos na espera para ver o que sai do próximo filme.

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