A saga do Monstro do Pântano – Volume 1

Escrevo este post como alguém que não sabe muito sobre o monstro do pântano, tendo contato somente com algumas edições da Abril, publicadas em formatinho, e com aquelas histórias com John Constantine presentes no Vol. 2 do Hellblazer Origens, da Panini Comics.  Infelizmente, não li o Monstro do Pântano – Raízes que saiu também pela Panini Comics e imagino que escrevo para novos leitores do título, assim como eu.

Monstro do Pântano

Pela primeira vez A saga do Monstro do Pântano de Alan Moore pode ser inteiramente publicada no Brasil e em ordem cronológica. A HQ já havia sido publicada por outras editoras, com formatos variados, interrupções editoriais e textos abreviados. Por esses fatores, acredito que esse lançamento da Panini será sucesso garantido, até o último volume. Dizem que é a melhor fase do personagem, além de ser um dos melhores runs da história dos quadrinhos. Achei a edição bem feita, mesmo com o papel pisa brite, pois conta com uma introdução do Len Wein, criador do personagem, e também um prefácio de um premiado autor de terror, Ramsey Campbell. Só faltou uma daquelas abas nas capas, a orelha, pra dita cuja não ficar empinada depois do encadernado ter sido lido.

Fiquei com medo de “cair de paraquedas” e não curtir as histórias, já que não tinha lido nada das histórias originais. Felizmente isso não aconteceu, pois a série se sustenta nas novas bases que Moore constrói, além da útil introdução de Wein. O monstro do pântano apareceu primeiramente na revista  da DC chamada House of Secrets #92 (abril de 1971), com o nome Alex Olsen. No começo do século XX, o cientista Alex Olsen é vítima de uma explosão em seu laboratório planejada por seu colega de trabalho, Damian Ridge, que pretendia matá-lo de modo que pudesse ganhar a mão da esposa de Olsen, Linda. Assim, Olsen é transformado pelos produtos químicos e pelas plantas do pântano em um monstro que volta para matar Ridge.  Incapaz de revelar a Linda sua verdadeira identidade, o Monstro do Pântano volta tristemente pras profundezas de sua nova morada. Como explica Wein, isso era pra ser uma história isolada.

Após o sucesso dessa história na House of Secrets, o editor da DC pediu para os criadores originais que escrevessem uma série contínua. Isso só foi acontecer no final de 1972, na Swamp Thing #01, sendo que Wein  colocou o personagem no presente e de forma mais heroica. O cientista Alec Holland, trabalhando em uma fórmula restaurativa secreta nos pântanos da Louisiana, é morto por uma bomba plantada por agentes do Senhor E, que queriam a fórmula. Coberto com os produtos químicos em chamas, Holland foge do laboratório e cai no pântano. Após isso, Alec Holland surge como uma criatura do pântano e busca vingança. Há também o cientista vilão chamado Anton Arcade, sua linda sobrinha Abigail e o agente federal Matt Cable, que investiga o caso de Holland.  Muitas de suas histórias nesta primeira fase envolvia o monstro buscando uma maneira de tornar-se outra vez humano. Bom, só posso falar isso sobre o que veio antes de Moore, pois ainda tenho que ler essas primeiras histórias.

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Voltando ao Moore, o conteúdo é coisa de primeira! O britânico barbudo assumiu o título em 1984, escrevendo aproximadamente 45 números, até 1987. Vale ressaltar que Alan Moore ganhou o prêmio Jack Kirby como melhor escritor em 1985 e 1986. Moore, John Totleben e Steve Bissette ganharam o Prêmio Jack Kirby de “Best Single Issue”  com Swamp Thing Annual #2. Como se isso já não bastasse, também ganharam o Jack Kirby Awards de melhor série contínua, em 1985, 86 e 87.

Narração de ponta do Alan Moore, tanto gráfica como textual, seguindo seu estilo foda presentes em Watchmen e V de Vingança. O volume 1 contém 8 edições (The Saga of The Swamp Thing # 20 a # 27), sendo que na primeira delas, o autor retoma pontas soltas deixadas pelos roteiristas anteriores e apresenta um novo começo para o personagem, matando-o. Após essa não tão empolgante história,  segue-se a famosa Lição de Anatomia, uma aula de como se fazer terror e roteiro, com a mínima participação do personagem principal. Moore foi inteligente ao matar o protagonista para uma nova origem poder ser feita. É fácil perceber a força dessa segunda edição, pois mesmo sem ter tido contato com as histórias de Len Wein ou até mesmo um vínculo com o protagonista, a revelação sobre sua natureza é fantástica,  mudando o propósito para o até então Alec Holland. Em seguida, há dois arcos com três edições cada, sendo que o primeiro deles é continuação direta de Lição de Anatomia, onde o novo vilão consegue contato com as plantas e decide declarar guerra aos humanos numa forma genocida de ecoativismo. No segundo arco, o monstro do pântano e Abby lidam com um estranho viajante e com a aparição de um demônio em forma de macaco branco, libertado por uma tábua de ouija. Este segundo arco é muito bom, principalmente pela aparição do Etrigan. O trabalho é  primoroso, recomendação máxima para quem gosta de quadrinhos, história de terror e uma puta história bem contada. Também gostei bastante das partes em que aparece o Matt lidando com a bebida e com a Abby.

Lendo as três últimas histórias eu só pude pensar em uma coisa, cacete, que saudade das camadas do Alan Moore! Que jeito de mesclar roteiro e imagem, mesclar níveis de narrações, uma história fazendo referência à outra. Como já mencionei, é o mesmo estilo narrativo de Watchmen e V de Vingança… a continuidade das páginas, a sequência das ações, é tudo muito bom, de não dar pra largar o gibi. Infelizmente, sinto falta disso em alguns momentos da  Liga Extraordinária, como nas histórias do Século ou em Black Dossier. Os dois primeiros volumes da Liga são excelentes, super empolgantes, mas Século e o Black Dossier, que são mais recentes, não são tão primorosos.  Há camadas, mas elas são broxantes, pois funcionam como um gigantesco amontoado de referências culturais que não adicionam muita coisa para a narrativa, existindo para o mero prazer dos autores.

Enfim, ter em mãos A saga do Monstro do Pântano de forma decente em 2014 e ler isso pela primeira vez foi uma alegria. Ainda mais quando a história se mantém acima da média e nos enche de expectativas. Que venham os próximos volumes!

 

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3 respostas para A saga do Monstro do Pântano – Volume 1

  1. João Paulo disse:

    Muito boa resenha.
    Você recomenda comprar toda a saga (6 volumes), mesmo a capa e o tipo de papel não sendo agradáveis?

  2. João Paulo disse:

    Dizem que na gringa também saiu com esse tipo de papel, a diferença é que tem a opção para capa dura.

  3. João Paulo, a edição americana é com o mesmo papel e com capa dura mesmo. Se vc gosta de histórias de horror e da escrita do Moore (é nível V for Vendetta e Watchmen), é investimento garantido! O papel não é tão ruim, mas pode durar menos e amarelar mais fácil.

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