Sex Criminals

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Há certas coisas que martelam nossa mente com uma grande energia depois de vistas ou experimentadas, seja pela novidade ou pela genialidade. Depois de ler o primeiro volume de Sex Criminals reunindo as cinco primeiras edições, infelizmente ainda não publicado no Brasil, fiquei a tarde toda pensando nesta recém-nascida história em quadrinhos, em todo seu humor e em sua arte. Pode ser empolgação do momento, mas eu senti que preciso compartilhar isso com os outros.

Vida longa à Sex Criminals, série de Matt Fraction e Chip Zdarsky, em andamento nos EUA e saindo pela Image Comics! Não se enganem, a série não deve ser tomada com um pornozão acéfalo e gratuito (aliás, ela tem menos nudez que The Boys e Preacher, por enquanto). Apesar de ter censura 18 anos, Fraction quer contar uma história de comédia e de crime através do contexto sexual. É o seguinte: Suzie descobre que quando ela goza o tempo literalmente para. Tudo fica menos solitário quando conhece Jon, um homem com igual habilidade e que será sua dupla em roubos à bancos.

Se o enredo criminoso impulsionado por essa bizarra capacidade já é o suficiente para render boas histórias, Fraction e Zdarsky dão tempo para conhecermos partes da infância e adolescência dos dois personagens, entendendo suas descobertas sexuais, suas dúvidas e suas desventuras. Por enquanto até agora, a história de Suzie é mais legal e mais profunda que a de Jon.

Através dos flashbacks de Suzie, com a própria quebrando a quarta parede, vemos a incompreensão que o orgasmo traz quando ela acidentalmente se excita na banheira; a ânsia de conhecer mais o corpo e essa novidade sexual tão subversiva; vemos, com humor, a medicina, a família e a escola encaixando a mulher em seu “lugar puro e aceitável” antes de responder suas dúvidas. Há uma parte muito boa em que após Suzie perder a virgindade com um rapaz, ela reflete sobre como ela se encheu de expectativas sobre o sexo, sobre o que seria realmente transar. Após o gozo, enrolada no lençol, vendo a festa inteira congelada do alto da escada, Suzie ainda se sente sozinha após a esperança dilacerada de algo especial no sexo. Mas ela continua. Após muitos parceiros se revelarem responsáveis e adultos, ou ridículos e esquecíveis, Suzie encontra Jon.

Jon é um rapaz legal que queria ser ator. Com uma conversa sobre Nabokov e James Mason durante uma festa, Jon conquista Suzie e os dois acabam descobrindo, espantados, que ambos conseguem agir no tempo congelado do pós-orgasmo. Assim, o amor entre eles cresce, as coisas se desenrolam e Jon acaba dando a ideia de os dois roubarem um banco, o banco em que ele trabalha.sex criminals

Até aqui falei o básico da história de Sex Criminals. Se isso não bastou para interessar, basta mencionar que Fraction quis inventar uma história de comédia sexual própria para o meio dos quadrinhos, visto que há muitas séries de TV e filmes que exploram este gênero. O escritor diz se inspirar em filmes de comédia como O vírgem de 40 anos, Bridesmaids, Jackass e no excelente diretor e roteirista Billy Wilder. A referência ao Wilder foi matadoura pra mim, acho o cara foda no cinema e isso promete coisa boa. Realmente, há diálogos e cenas muito boas, incluindo uma parte muito engraçada em que o casal para o tempo dentro de uma loja de pornografia, brincando com milhares de coisas bizarras enquanto os outros clientes estão paralisados.

Há também uma vilã, uma mãe séria que é o Bruce Willis da polícia sexual e anda por aí fazendo exercícios de Kegel. O bacana é perceber a força da personagem antagonista sem ofuscar o toque cômico que Fraction quer manter na série.

Sobre até quando vai a série, Fraction não sabe ao certo até quando Sex Criminals durará, mas ele disse que ela têm um começo, um meio e um fim, podendo ser uma minissérie mais longa, mas que eventualmente terá um fim. Ponto positivo, se ele já pensou nas linhas gerais, nos personagens e no fim da história desde agora, a série pode contar com um ótimo andamento sem enrolações e com mais liberdade criativa para os artistas. Tudo indica que haverá boas doses de desenvolvimento pessoal, a julgar pelas páginas abordando o passado dos protagonistas, o desenvolvimento amoroso entre os dois, assim como pontas no roteiro como a relação entre Suzie e sua amiga Rachelle, a perda do pai e a relação com sua mãe deprimida.

Enfim, lido as cinco primeiras edições que formam o volume 1, One weird trick, fiquei muito curioso e doido pra saber como as coisas saem para os criminosos sexuais, um casal simpático que promete viver uma aventura com lugar para sentimentos, comédia… e pornografia. Torço para a série continuar boa e ser uma nova obra de mestre em quadrinhos.

sex jon

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