Planetary!

Foi para as bancas há um par de semanas o primeiro volume de Planetary, de Warren Ellis e John Cassaday. Trata-se de uma série sobre arqueólogos superpoderosos trabalhando na organização Planetary, cuja missão é desenterrar coisas bizarras e ocultas, reconstruindo a história secreta do século XX. É um grande gibi, com roteiro inteligente e uma ótima arte.

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Fundada pelo misterioso Quarto Homem, que pode ser qualquer lunático bilionário ou influente, desde Adolf Hitler a Bill Gates, os principais membros do Planetary são: Jakita Wagner, uma mulher forte e rápida; O Baterista, que pode conversar com computadores e quaisquer outros tipos de aparelhos elétricos; e o novo recruta Elijah Snow, um velho durão que consegue controlar a temperatura. No decorrer das aventuras, o trio de heróis planeja acabar com um velho grupo inimigo conhecido, os Quatro, responsáveis por operações secretas e grandes atrocidades contra a humanidade.

Não é fácil definir um gênero específico para Planetary, principalmente por ela literalmente brincar com diversos gêneros da ficção: a edição número 2 é uma homenagem aos filmes japoneses de monstros gigantes, como Godzilla; a edição seguinte lembra filmes de ação com Chow Yun-Fat; a edição 7 é um comentário sobre a Vertigo, começando pela própria capa. o número 8 traz elementos de filme B de ficção científica, e assim vai. Mesmo assim, a série conserva a atmosfera do quadrinhos de super-heróis, reinventando tudo e adicionando a sagacidade e o humor típico do autor. Ellis faz muito mais do que uma reciclagem, ele reconstrói o gênero com os escombros do século passado. Diria que o foco principal da série é colocar na mesa de autopsia a produção do gênero de heróis, dando brechas para o autor comentar a relação que nós tivemos com tais figuras ao longo do tempo, seja na literatura ou nos quadrinhos.

É inevitável a comparação com a Liga extraordinária, de Alan Moore, uma vez que as duas séries exploram densas referências da cultura e exploram diversas possibilidades que ela apresenta, como se o imaginário coletivo ocupasse um único território. Nas palavras do barbudo de Northampton, que faz a introdução do primeiro volume de Planetary: “Os criadores de quadrinhos que caminham por esses escombros entre os séculos, estão, me parece, sujeitos a impulsos gêmeos e antagônicos. De um lado, a arriscada resolução tipicamente tomada no ano-novo de mergulhar de cabeça no futuro, o que, é claro, precisamos fazer; e de outro lado temos o pesado fardo de nossos brilhantes escombros que deixamos para trás, às nossas costas. Com tanta coisa de valor em nosso grande quintal da história em quadrinhos, somos obrigados a nos perguntar se talvez não existam tesouros enterrados, itens que mereçam ser resgatados. Muitos de nós parecem ter a sensação, vagamente definida, de que há algum elemento do passado que nos dará a chave com a qual poderemos destrancar o futuro do nosso meio. Como se para conseguir seguir em frente precisássemos, ao mesmo tempo, andar para trás, por mais paradoxal que isso possa ser.” Na verdade, a história que é descoberta não é a do nosso século XX, mas sim o século XX do universo dos quadrinhos, um multiverso imaginário com diversas referências à ciência, literatura e conspirações.

Apesar de ser recheada de referências, dialogando com quadrinhos como a Liga da justiça, Authority, Hellblazer, Transmetropolitan e Quarteto Fantástico, a leitura de Planetary é envolvente e interessante. O leitor novato em quadrinhos pode aproveitar as histórias sem precisar conhecer as mil e umas nuances do universo editorial dos quadrinhos (DC comics e Marvel comics e suas respectivas subdivisões), mas com certeza um guia pode enriquecer a compreensão e até deixar a série mais pertinente.

Quem gosta de quadrinhos não pode deixar essa oportunidade passar. Já li ela inteira em inglês, baixada no computador, mas mesmo assim estou bem empolgado para dar uma segunda olhada na série. É duro comparar HQs, mas vale dizer que Planetary mantém a qualidade de qualquer ótima história de super-heróis. Eu já comprei meu volume 1 (a Panini lançará em quatro volumes, respeitando a divisão dos encadernados norte americanos, com preços ao redor dos 20 reais) e pretendo esboçar um guia aqui no blog , me baseando em páginas estrangeiras, para apontar e comentar as referências, conceitos e demais tesouros enterrados. 

planetary2

Aqui está o link para quem quiser baixar as revistas de Planetary em português. Para ler os arquivos, é necessária a instalação de um pequeno programa chamado CDisplay.
Quem quiser ler no computar em inglês, aqui está o link do torrent.

 

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